domingo, junho 16, 2002

Cravo e canela livre de impostos


Chegou da Coreia a selecção nacional de futebol. Esperava poder desfazer o sentido do último post. Mais: esperava desancar meu pessimismo precipitado e dizer que aquilo com a América tinha sido “primeiro milho para pardais”. Pardais? Pardalecos, esses americanos que têm a mania de ser bons em tudo, até em futebol, vejam lá, a única garantia que ao terceiro mundo ainda resta de poder figurar nas primeiras páginas dos noticiários sem ser por via da fome, da epidemia ou da guerra.
Os “tugas” não catapultaram meu ego de pobretana ocidental para a via ascensional dos mastros e velas que outrora sonharam buscar o sol lá onde nascia o astro-rei.
Mas há ainda uma réstea de portugalidade no campeonato do mundo: os brasileiros continuarão a contar as facécias anedóticas do Zé Pacóvio que os descobriu e ... o Senegal, por quem passo agora a torcer: - o Senegal moderno deve muito a Leopold Shengor, cujo nome vem directo do português "Senhor" e que, enquanto poeta, lembrou que lhe corria no sangue a alma do fado.
Quanto aos "Tugas" foi mais um sonho perdido no regresso das caravelas. Partiram Gamas e nem sequer regressam com a fantasia purificada pela Peregrinação de Fernão Mendes Pinto. Foram ao oriente e como bons agiotas ocidentais querem cravo e canela livre de impostos.